terça-feira, 27 de julho de 2010

Parte I - A minha infância

Nasci em 17 de Março de 1934 na Freguesia de Santa Isabel, Bairro de Campo Ourique, Lisboa.

Quando frequentava a escola primária (1ª classe) com 7 anos de idade, tive que abandoná-la por conselho do médico, por ter princípio de tuberculose no pulmão esquerdo e, teria que ir para a província para respirar melhores ares. O meu pai era transmontano e a minha mãe ribatejana. Como éramos pobres, os meus pais, por ser mais perto de Lisboa, optaram por ir para o Ribatejo, e aí nos estalamos, na Vila de Pernes, que fica a 20Kms de Santarém e a 90km de Lisboa.

Depois já estar curado, os meus pais resolveram ficar a viver em Pernes, pelo facto da vida ser mais barata. Retomei a escola (1ª classe) aos 9 anos e aqui conclui, a 4ª classe, com distinção.

Sofri muito, o que não tenho vergonha em dizê-lo, pois, foi no período da 2ª guerra mundial, 1939 a 1945. Passei fome e andei muito tempo descalço, o que era muito doloroso, principalmente no inverno sobre o gelo e no verão, naqueles campos com restolhos e cheios de espinho, muitas vezes o meu pai tinha que andar comigo às costas para assim os atravessar.

Dos três filhos, eu era o mais velho e então no tempo da guerra tinha que ir à meia-noite para as bichas das portas das padarias para assim ser dos primeiros a poder arranjar pão.

A nossa comida, ainda me lembro como fosse hoje, era só sopa com umas couves e uns bagos de arroz ou uma mão cheia de massa. Quando havia sardinhas era uma para três, só ao domingo é que nós comíamos um bocadinho de toucinho. Muitas vezes tinha de ir ao rio pescar algum peixe para assim termos mais algo para comer.

O meu pai tinha uma reforma de 250$00 da 1ª guerra mundial por ter partido a cana do nariz e ficar surdo. A minha mãe, assim como outras senhoras, trabalhavam às tardes no campo e outras vezes mesmo de madrugada por causa do calor.

Quando acabei a escola comecei imediatamente a trabalhar naquilo que havia, ganhava 10$00 por semana de sol a sol; trabalhava-se também ao sábado todo e ao domingo, feriados e dias santos trabalhava-se até ao meio dia.

Como era o mais velho, tinha que andar sempre à frente, tinha que arranjar o jantar para toda a minha família. Foi uma infância e adolescência muita árduas, mas não estou triste, uma vez que me tornei no homem que sou hoje e de ter aprendido muito com a vida...

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