terça-feira, 27 de julho de 2010

Parte IV - A minha vida em Portugal

Em meados de Junho, de 1964, regressei ao continente, tive alguns dias de licença e no dia 23 desse mesmo mês, fui colocado no Quartel-general da Região Militar do Norte.

Como a minha especialidade era de transmissões fui para o STM (Serviço Telecomunicações Militares) onde estive a chefiar a secretaria durante mais de 20 anos. No dia 31 de Janeiro de 1987, passei à reserva e 5 anos depois obtive a reforma.

Quando saí do exército, fui trabalhar no Centro Profissional da Industria de Fundição (CINFU), no Porto, onde permaneci durante 11 anos; tive que sair por motivos de força maior, mas fiquei com muita pena porque aquilo era bom ao nível da camaradagem e no ambiente de trabalho.

No dia 1 de Maio de 1966, casei e nessa altura fui morar para Rio Tinto, já que a minha esposa era enfermeira e trabalhava no Hospital de Santo António no Porto. Por não gostarmos de viver lá, mais tarde resolvemos vir residir para a sua terra natal (Esmoriz), uma vez que tinha lá toda a sua família. Ainda hoje vivemos aqui em Esmoriz.

Infelizmente tivemos azar na vida, sobretudo a minha esposa. Quando atingiu a idade de 70, reformou-se e passado um ano, mais precisamente no dia 26 de Dezembro de 1990, teve um AVC. Durante 12 anos ainda conseguiu caminhar, mas acabaria por ser novamente hospitalizada no Hospital Militar do Porto. Este teve lá durante oito dias internada, entrou pelo seu pé e quando saiu foi numa cadeira de rodas, na qual esteve durante 8 anos.

Em Março de 2009 lembrei-me de escrever uma carta a explicar a situação da minha esposa para o Hospital de Alcoitão – Sintra. No inicio de Maio, recebi uma carta deles a comunicar que ela nessa altura iria ser atendida por um especialista. O médico que nos atendeu, quando viu o processo dela, disse-me logo que aquilo não era consulta para ele, mas que iria fazer o melhor possível. Tive que me ausentar por momentos, tendo ficado na sua companhia uma pessoa amiga que nos tinha acompanhado, qual foi o meu espanto, quando a vi, andar na companhia dessa pessoa. Fiquei muito feliz e sem palavras para descrever a minha satisfação!

Quando cheguei a casa, a primeira coisa que fiz foi tirar a cadeira de rodas do quarto e no outro dia fazer a entrega ao seu dono. Ela tem vindo a ser tratada e cuidada pelo pessoal do Centro de Assistência Social de Esmoriz, que vêm buscá-la todos os dias às 09H00 da manhã e trazem-na às 17H00, excepto aos fins-de-semana e feriados.

Isto para mim tem sido uma batalha muito dura, mas sinto-me orgulhoso por travá-la, porque sei que, se fosse ao contrário, ela fazia exactamente o mesmo por mim. Sinto-me triste por não ter aqui em Esmoriz praticamente família, pois os da minha parte encontram-se em Pernes – Santarém.

O que para mim me custa mais é que, se morro primeiro, para ela será um grande desgosto e sofrimento, sabendo que jamais terá ao seu lado o seu companheiro e amigo da sua vida para a poder ajudar nos bons e maus momentos! Será que ela irá resistir por muito tempo? Julgo que não, já que é uma pessoa muito sensível e muito dependente de mim…

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